Kcrishna Vilanova de Souza Barros1 & Cristina de Almeida Rocha-Barreira2

1Em estágio pós-doutoral no Laboratório de Zoobentos do Instituto de Ciências do Mar, Universidade Federal do Ceará (Labomar/UFC), especialista em angiospermas marinhas e macrofauna associada (Currículo Lattes); 2Coordenadora do Laboratório de Zoobentos, especialista em organismos marinhos bentônicos (Currículo Lattes)

 

As angiospermas marinhas são plantas superiores que evoluíram de suas parentes terrestres, adaptando-se aos ambientes estuarino e marinho. Esses vegetais formam pequenas manchas ou extensos tapetes - também conhecidos como pradarias - nos fundos oceânicos costeiros.

Uma pradaria com aproximadamente 450 km2 foi registrada em Cajueiro da Praia, litoral do Piauí (Fig. 1). Na região ocorrem quatro espécies de angiospermas marinhas: Halodule beaudettei, Halodule wrightii, Halophila baillonis e Halophila decipiens (Fig. 2).

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Figura 1. Pradaria de angiospermas marinhas do município de Cajueiro da Praia, Piauí. Foto: Kcrishna Barros

 

 

Figura 2. Espécies de angiospermas marinhas de Cajueiro da Praia, Piauí. Legenda: A – Halodule beaudettei; B – Halodule wrightii; C – Halophila baillonis; D – Halophila decipiens. Fotos: Kcrishna Barros.

 

Enquanto as espécies de Halodule se distribuem por toda a pradaria, as espécies de Halophila ocorrem apenas nas áreas que ficam menos tempo expostas ao ar, durante as marés baixas.

 

Considerando um gradiente de exposição ao ar durante as marés baixas (Transecto A – menos exposto), em geral, as duas espécies de Halodule tiveram maiores densidade e comprimento/largura de folhas na porção intermediária da pradaria (Fig. 3).

 

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(2)

Figura 3. Densidade (1), comprimento e largura das folhas (2) das duas espécies de Halodule ao longo de um gradiente de exposição ao ar durante a maré baixa (A – menos exposto), em Cajueiro da Praia-PI.

 

 

Os resultados aqui obtidos ainda são preliminares, mas esta pradaria vem sendo monitorada para a obtenção de informações mais consistentes sobre variações espaciais e sazonais das espécies que nela ocorrem.

 

 

Sugestões para leitura:

Barros, K.V.S.; Rocha-Barreira, C.A.; Magalhães, K.M. 2016. Seagrass meadows on the northeast coast of Brazil: habitat influence on the spatial and seasonal variations. In: Snyder, M. (ed.). Aquatic Ecosystems: Influences, Interactions and Impact on the Environment. New Jersey: Nova Science Publishers.

Barros, K.V.S.; Costa, F.N.; Rocha-Barreira, C.A. 2014. A Halophila baillonis Ascherson bed on the semiarid coast of Brazil. Feddes Repertorium, 125, 93–97 (http://onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1002/fedr.201400033/abstract)

Magalhães, K.M.; Barros, K.V.S. Halodule genus in Brazil: A new growth form. Aquatic Botany, in press. (http://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0304377016302418)

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